Roubaram-me o ar, e fica cada vez mais difícil de respirar nessa redoma em que estou presa.
Nunca, nada além daquela que ouve, aquela que vê, aquela que ama. Nunca a que é vista, ouvida e amada. Sempre coadjuvante na própria vida. E não adianta querer tomar as rédeas nas mãos, você acredita que tem o controle, mas ele nunca lhe foi dado.
Nada lhe é dado, mas o que esperava?
Se a sensação de sufocamento passasse, já ajudaria bastante. Se eu pudesse voltar a respirar, ficaria satisfeita, é só o ar que lhe peço, mas até isso me negas.
Por que cada vez que escuto, cada vez que não sou eu quem está lá, o pouco ar me escapa, como areia entre os dedos... Vejo o inteiro que se despedaça e cada pedacinho se esvairindo, e o que me resta é o nada. Nada além de meus próprios dedos, que já estou tão cansada de contar, minha própria dor, que já estou cansada de contemplar.
Roubaram-me o ar, e sem fôlego não fui capaz de argumentar, nem de lutar por aquilo que acreditava. Completamente estática, de dentro da minha redoma, só posso assistir você saindo de minha vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário