sábado, 4 de outubro de 2008

ensaio do ensaio


Ainda me surpreendo com o efeito que certas coisas têm sobre mim.
Pergunto-me se surtem o mesmo efeito em outras pessoas, se as levam a questionar o mundo em que vivem, tudo em que acreditam, se dão conta de perceber que algo está errado, mas que em certo momento não é mais possível voltar atrás.
Ainda me surpreendo com as pessoas, o que é preciso para que voltem a seu "estado de natureza", para que a lei da sobrevivência fale mais alto?
Que cegueira nos será preciso para que percebamos que alguma coisa está muito errada. E se essa cegueira vier, como nos recuperaremos dela? Como pode a sociedade recobrar o que lhes resta de humanidade, como poderemos voltar ao que éramos?
"Ando pelo mundo prestando atenção em cores que não sei o nome". Ando pelo mundo vendo coisas que não sei se gostaria de ver.
Até que ponto o ser humano se submete? Até que ponto o ser humano subjuga? Qual o limite?
Ainda nos resta moral?Há ainda dignidade?
Se nos for tirada a civilidade, o que resta?
Quão forte ficamos quando estamos acuados? O que conseguimos superar quando a sobrevivência está em jogo?
O mal-estar é tangente, pulsante, cortante! Quem não o sente? Como não senti-lo?
Na escuridão da alma habita o que há de mais belo, mais forte e mais assustador de cada um. Como saber qual lado vai falar mais alto?
Só sei que minha visão de mundo NUNCA mais será a mesma...












*cena do filme: Ensaio sobre a cegueira

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