O domingo me leva a romper o silêncio, pois só o que me rodeia é silêncio e solidão. Não alimento pelo domingo os sentimentos de indignação e desgosto que vejo entre uns e outros, mas preciso reconhecer que não é o favorito dos meus dias.
O domingo parece ter sido feito para lembrar a todos sobre estar só, afinal nada que se empreenda no domingo costuma terminar e, no fim do dia, no meu caso, só se tem uma casa vazia envolta na penumbra.
Parece triste, e o é. O domingo evoca em mim o que há de mais sombrio, e o que sempre me esforço para esconder: o medo da solidão, de ficar sozinho, de não ter quem me visite no asilo. Medo que me gela a alma, por saber que apesar da sensação de hoje não ser das melhores, na concretização do medo, ela se torna pior.
O domingo é como um tapa na cara, que te faz lembrar o que você construiu ou quem conquistou. O domingo é um insulto àqueles que estão sozinhos, por que no domingo estar sozinho é solidão.
E surpreendo-me, no silêncio e na penumbra, suspirando pela segunda, quando se está sozinho por tantos motivos, mas a vida, que te engole a cada dia, faz também com que esqueça da solidão.
E na ignorância inebriante da correria e monotonia dos dias, vou me esquecendo da solidão, que me cala. Mas não por muito tempo, o domingo logo vem...
Um comentário:
e sobre estar só, eu sei
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